“Se cuida, se cuida, se cuida seu machista que o mundo inteiro vai ser todo feminista”
“Se o corpo é da mulher, se o corpo é da mulher. Ela dá pra quem
quiser, ela dá pra quem quiser. Inclusive outra mulher, inclusive outra
mulher”
“Eu amo homem, amo mulher. Tenho direito de amar quem eu quiser”
“Vem, vem, vem pra rua vem! Contra o machismo”
“Pra ir para rua, tem que ter peito, sou vadia de respeito”
“eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que
escolhi, é, e poder me assegurar, que de burca ou de shortinho todos vão
me respeitar”
“eu sou mulher, sou feminista. Vim pra acabar com seu conceito machista.
E eu sou homem não sou machista. Por igualdade eu também sou feminista”
“A nossa luta é todo dia! Somos mulheres e não mercadorias”
“não seja escrava dos padrões. Você é linda com ou sem peitões”
“Ô abre alas que as mulheres vão passar, com essa marcha muita coisa
vai mudar. Nosso lugar não é no fogo ou no fogão. A nossa chama é o fogo
da revolução!”
“Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”
“Eu não sou miss, nem avião. Minha beleza não tem padrão”
“Se tem violência contra a mulher a gente mete a colher”
“Olê mulher rendeira. Olê mulher rendá. Sai do pé desse fogão. Vem prá rua, vem lutar.”
No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são
estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um
humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que
homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço;
marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de
fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem
semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de
prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura
patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade
da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que
denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma
como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque
a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada
ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público
para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos
as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque
hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas
as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão
algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica,
física ou sexual.
No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir
culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que
homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque
muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos
estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não
estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o
chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito
de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos
porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um
marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas
estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram
permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos
fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas
podemos.
Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos
chamadas de vadias porque transamos antes do casamento, já fomos
chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos
chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já
fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos
estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e
sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, por um ou vários
homens ao mesmo tempo, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e
curradas durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente
chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.
Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações
utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade
machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E
somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos
livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão
masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar
no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo
para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas
as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque tiveram seus
corpos invadidos, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua
dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a
uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda
mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e
marcharemos até que todas sejamos livres.
Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, mulheres da via, santas, vadias…todas merecemos respeito!
Em janeiro de 2011, a Universidade de Toronto registrou muitos casos
de abuso sexual em mulheres no Campus. Depois dos acontecimentos, um
policial orientou como medida de segurança que “mulheres evitassem se
vestirem como putas para não serem vítimas”. Depois disso, 3.000 pessoas
foram às ruas no Canadá protestar contra a culpabilização de mulheres
envolvidas em episódios de violência sexual. Assim, nasceu o movimento
internacional Slut Walk (em português Marcha das Vadias) que rapidamente
se espalhou por dezenas de cidades no mundo.
A breve descrição acima chama atenção para a primeira versão
brasileira da Marcha das Vadias que aconteceu em julho deste ano em São
Paulo. No Brasil, assim como no âmbito internacional, essa iniciativa
repetiu-se em várias cidades como Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília,
Belo Horizonte, dentre outras. Nas diversas versões destes protestos
contra a violência de gênero, o termo “vadia”, foi deslocado e (re)
apropriado de maneira criativa ao borrar os limites normativos que
constroem a figura da “mulher estuprável”. Ao saírem às ruas, mulheres e
homens ao invés de dizerem: “Cuidado para não ser estuprada”, disseram:
“Não estupre!”.
Muitos se questionam: “O que fazer para mudar ou
acabar com a corrupção no Brasil?” (na verdade não só no Brasil, mas
onde houver). Bem, em minha opinião o melhor caminho para que isso venha
a acontecer, é da própria população se conscientizar sobre o problema
que todos sabem que existe, e buscarem uma solução para isso, buscarem
juntos. Pois um só não tem voz perante o governo e sua opressão
(infelizmente). Eu acredito no poder das idéias, e acredito que se todos
lutarmos por um único ideal, conseguiremos obter total sucesso e
gratificação pessoal. É por isso que estamos aqui, é por isso que
estamos com você. Todo ser humano tem uma mesma arma, basta saber
usá-la.
Não se cale, não deixe que mais uma
vez eles tirem de vocês o bom senso e o direito de falar, de discordar.
Nós lutamos para romper esse silêncio, tirar o medo que invade a
população e que a impede de seguir em frente para desfrutar de tudo que
lhe é de direito.
Quando se luta por algo é super válido, mas quando se tem o apoio dos
reais favorecidos, é surpreendentemente muito mais prazeroso de se
continuar a fazer.
A Anonymous está aqui pra lutar por você, por mim,
por toda uma nação que sofre em meio ao silêncio, lutaremos até o fim
por um único objetivo.
Eu acredito que tudo aconteça por uma razão...
Todos nós temos um dom, mas estou descobrindo o que é o meu hoje.