Coincidentemente o conceito de Desenvolvimento Humano (DH) surgiu em 1990, criado pelo PNUD, de onde veio o Paradigma do Desenvolvimento Humano. “Segundo esse paradigma, o que uma pessoa se torna ao longo da vida depende de duas coisas: das oportunidades que teve e das escolhas que fez. Além do acesso às oportunidades, as pessoas precisam ser preparadas para fazer escolhas.
Analisando com maior profundidade essa condicional – oportunidades e escolhas – podemos ver quão contraditório se torna quando não é levado em conta o sistema em que se encontra, o capitalismo. Como se podem oferecer oportunidades a todos, como propõe o conceito de DH em um sistema baseado na desigualdade social, quando o objetivo é concentrar capital na mão de poucos através da exploração da mais-valia? Na marginalidade de parcela significativa da população, quando torna-se necessário, para controle dos trabalhadores, a existência do desemprego para manter baixo os salários e forçar o trabalhador a gostar do próprio salário (que é uma parcela mínima da riqueza produzida por ele) para qualificar-se para manter-se em um emprego que a qualquer deslize o põe na rua? Na dominação, quando o poder político é irmão do poder econômico, ou seja, as oportunidades são geradas pelos que têm dinheiro e os que têm dinheiro são os mesmos que promovem a desigualdade, a marginalidade e a dominação?
Como se pode preparar alguém para fazer escolhas (e que escolhas?) quando se cria a ideologia nas mentes populares de que o importante é ganhar dinheiro através de um modelo assalariado que gera concentração da riqueza, de um modelo de crescimento infinito que não leva em conta a real sustentabilidade humano-ambiental e de um modelo de administração estatal, que monopoliza o poder, excluindo a classe trabalhadora (os geradores da riqueza, diga-se de passagem), e que é guiado pelos interesses econômicos da elite? Como?
Nenhum comentário:
Postar um comentário